Nessa passagem, Paulo trata da conduta vergonhosa que caracterizava as reuniões dos coríntios para celebrar a Ceia do Senhor. Os cristãos do período apostólico que participavam de uma igreja local tinham o costume de se reunir pelo menos uma vez por semana para comerem juntos e, durante as refeições, celebrarem a Ceia do Senhor. Paulo está descontente pela maneira como eles estavam realizando seus cultos em geral.
A insatisfação do apóstolo era provocada pela falta de fraternidade e de reverência na celebração. Paulo chega até mesmo a dizer que as suas reuniões faziam mais mal do que bem, visto que produziam um resultado negativo. Em vez de serem para a edificação, instrução e conforto de suas almas, essas reuniões estimulavam a glutonaria, a embriaguez, as divisões e a carnalidade geral. Como resultado, a participação da Ceia, que deveria ser uma bênção, estava se tornando maldição e trazendo juízo e castigo para eles.
Não devemos nos aproximar da mesa do Senhor sob julgamento. É preciso confessar e abandonar o pecado, fazer reparação e pedir perdão àqueles que ofendemos. Em termos gerais, devemos nos certificar de que o estado da nossa alma é apropriado para o momento. Comer e beber sem discernir o corpo do Senhor é trazer juízo para si mesmo. Devemos estar cientes de que o corpo do Senhor foi entregue a fim de que nossos pecados pudessem ser eliminados. Se continuarmos a viver em pecado e, ao mesmo tempo, participarmos da mesa do Senhor, estaremos vivendo em falsidade.
Como resultado da falta de julgamento próprio, a igreja de Corinto sofreu inúmeras consequências. Alguns membros da igreja sofreram o julgamento disciplinador de Deus: muitos estavam fracos e doentes, e não poucos "dormiam". Em outras palavras, alguns foram acometidos por doenças e males físicos, e outros foram levados para o lar celestial prematuramente. Uma vez que não julgaram o pecado em suas vidas, o Senhor teve que tomar medidas disciplinares.
Em contrapartida, se julgarmos a nós mesmos, não precisaremos ser disciplinados. Como William MacDonald disse:
"Deus nos trata como Seus filhos. Ama-nos demais para permitir que continuemos pecando; mais do que depressa, sentimos o cajado do Pastor em nosso pescoço, puxando-nos de volta para o Senhor. Alguns santos podem ser dignos em Cristo de ir para o céu, mas não são dignos de permanecer na Terra como testemunhas."