O Dilema Divino (Paul Washer) [18/26] - Chamado ao Evangelho

Recentes

colocar adsense (apagado)

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

O Dilema Divino (Paul Washer) [18/26]


A quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé. (Romanos 3.25)
Se Romanos 3.23-27 é a acrópole da fé cristã, então o verso 25 é a própria cidadela da cidade. Esse único texto explica a cruz de Jesus Cristo como nenhum outro. Aqui, olhamos para além do véu a fim de descobrirmos a razão de existir uma cruz. Aqui, podemos conhecer a natureza do sofrimento de Cristo. Aqui, entendemos o que tinha que ser realizado, e o foi, através de sua morte. É o elo perdido em grande parte da pregação moderna do evangelho e a razão por que tão poucos, mesmo entre o povo de Deus, entendem a cruz.
Muitos teólogos e pregadores ao longo das eras concordariam que Romanos 3.25 é um dos textos mais importantes de todas as Escrituras. Esse parecer elevado flui do fato do texto conter o próprio coração do evangelho: Cristo morreu como uma propiciação. A fé cristã inteira repousa sobre essa verdade, mas, mesmo assim, ela é tudo, menos conhecida no evangelicalismo contemporâneo. Quantos evangélicos sequer ouviram a palavra propiciação? Daqueles que ouviram, quantos entenderam seu significado ou compreenderam algo sobre sua grande importância? A falta de conhecimento é uma acusação contra a nossa era e prova quão pouco realmente entendemos do evangelho. Incontáveis sermões evangelísticos são pregados e milhares de folhetos evangelísticos e livros são escritos todos os anos, contudo esse texto essencial raramente, ou nunca, se encontra lá. Não é de se estranhar que há tão pouco poder na apresentação contemporânea do evangelho.

Uma apresentação pública

Romanos 3.25 nos diz que Deus “propôs” ou “apresentou publicamente” seu filho como uma propiciação. A palavra “propôs” vem do grego protíthemai, que significa apresentar para ser exposto ao público. Na cruz do Calvário, Deus pendurou seu Filho em um outdoor. Naquele preciso momento da história, ele o ergueu no madeiro na encruzilhada do centro religioso do mundo para que todos pudessem ver.[1]
Embora não esteja explícito nas Escrituras, não seria errado supor que Deus poderia ter lidado com o pecado em um quarto isolado ou que Cristo poderia ter morrido de uma forma mais privada. O fato de ter exposto publicamente diante do mundo é uma prova que Deus intentava que seu sofrimento e morte seriam instrumentos, ou meios, de revelação. Através da cruz, Deus determinou revelar aos homens e aos anjos algumas verdades sobre si mesmo que não poderiam ser reveladas de outra forma.[2] É o testemunho perene da igreja de que a cruz de Cristo é a maior revelação da Deus e da própria realidade. A cruz é aquela grande e última palavra de Deus ao homem que explica tudo o que precisa ser explicado e responde as nossas persistentes perguntas sobre o propósito e a obra de Deus entre os homens.
É além do escopo deste capítulo sequer tentar dar um panorama de tudo o que a cruz de Cristo revela. Emprestando a linguagem do apóstolo João, podemos dizer que se tudo o que foi revelado na cruz fosse registrado em detalhes, nem o próprio mundo seria suficiente para conter os livros que seriam escritos.[3] Portanto, devemos nos limitar ao texto e seguir de perto para onde Paulo nos conduz. Sob o direcionamento direto e infalível do Espírito Santo, ele passa por todas as outras incontáveis pedras preciosas reveladas através da cruz e nos aponta para uma das maiores verdades do evangelho: Deus propôs publicamente seu filho a fim de demonstrar que ele é um Deus justo.[4]
A princípio, essa verdade pode não parecer notável ou surpreendente para aqueles que estudaram as Escrituras. Do princípio ao fim, as Escrituras testificam que Deus é um Deus justo, que todas as suas obras são perfeitas e todos seus caminhos são justos.[5] Por que, então, Deus deve demonstrar publicamente tanto a homens como anjos que ele é justo? O que ele fez para que sua justiça fosse posta em jogo ao ponto de ter que explicar seus caminhos ou vindicar a si mesmo? O apóstolo Paulo explica que era necessário que Deus, de uma vez por todas, vindicasse sua justiça e demonstrasse a sua integridade por ter, “na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos”.[6] Em outras palavras, Deus considerou necessário provar sua integridade aos homens e aos anjos porque através da história humana ele conteve seu julgamento de pecadores e concedeu perdão para homens ímpios. Embora seja uma boa notícia para um homem pecador, isso traz a tona o maior problema moral e teológica das Escrituras: Como pode um Deus ser justo e ao mesmo tempo restringir o seu julgamento e oferecer perdão àqueles que devem ser condenados? Como Deus pode ser justo e ainda justificar pessoas ímpias?

O Dilema Divino

Dicionário Priberam da Língua Portuguesa define dilema como “alternativa em que não há opção satisfatória”.[7] Nas Escrituras, o maior de todos os dilemas nos é apresentado praticamente em cada página: como um Deus justo pode perdoar o ímpio?
No capítulo anterior, trabalhamos extensivamente para provar que Deus justifica livremente até mesmo os homens mais perversos que se voltam para Ele com fé. Essa verdade é a grande alegria da igreja e o tema dos hinos mais gloriosos e amados. Regozijamo-nos com Davi:[8] “Bem-aventurado aquele cuja iniqüidade é perdoada, cujo pecado é coberto.” Mesmo assim, o problema permanece: como Deus pode ser justo e, ainda assim, conceder perdão para homens perversos? Não fará justiça o Juiz de toda a terra?[9] Pode um Deus justo ser indiferente ao pecado ou varrê-lo para debaixo do tapete como se nunca tivesse acontecido? Pode um Deus santo trazer homens iníquos à sua comunhão e ainda ser santo?
No livro de Provérbios, as Escrituras apresentam a máxima que parece negar qualquer possibilidade do perdão divino ou da justificação de homens pecaminosos. Ele declara: “O que justifica o perverso e o que condena o justo abomináveis são para o SENHOR, tanto um como o outro.”[10] De acordo com esse texto, qualquer um que justifique o perverso é uma abominação para o Senhor. A palavra abominação vem da palavra hebraica tow`ebah, que denota algo que é abominável, desprezível e repugnante. É uma das palavras mais fortes na Escritura Hebreia! A verdade comunicada é que Deus abomina e detesta qualquer pessoa, especialmente qualquer autoridade ou juiz, que justifique ou absolva uma pessoa culpada. Contudo, esse é o próprio tema da mensagem do evangelho! Através da história, Deus fez exatamente isso. Ele justificou o perverso, perdoou suas obras iníquas e cobriu seus pecados.

[1] Gálatas 4:4
[2] Efésios 3:10, 1 Pedro 1:12
[3] João 21:25
[4] A palavra demonstrar deriva do grego eís éndeixin, literalmente: “para demonstração” ou “para comprovação”.
[5] Deuteronômio 32:4
[6] Romanos 3:25
[7] Extraído de www.priberam.pt/DLPO/default.aspx?pal=dilema, acessado em 17/06/13
[8] Salmo 32:1, Romanos 4:7
[9] Gênesis 18:25
[10] Provérbios 17:15

O Poder e a Mensagem do Evangelho (Paul Washer)Extraído do livro 18º capítulo do livro “O Poder e a Mensagem do Evangelho” de Paul Washer, a ser lançado pela Editora Fiel. Tivemos a oportunidade de traduzi-lo e o privilégio de poder compartilhar pequenos trechos de cada capítulo com vocês.
Tradução: Vinícius Musselman Pimentel. Versão não revisada ou editada. Postado com permissão.
© Editora Fiel. Todos os direitos reservados. Original: O Dilema Divino (Paul Washer) [18/26]
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, seu ministério e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário